vendredi 17 février 2012

Um Olhar: O Primeiro que Disse (Mine Vaganti/Ferzan Ozpetek/2010)


Trabalhar com certas temáticas não é fácil, principalmente quando se mira um tom cômico. Senão houver certas sutilezas na condução da historia, pode-se cair no mau gosto e ofender um bocado quem é representado. Felizmente, não é o caso de O Primeiro que Disse, comédia italiana dirigida pelo experiente diretor turco Ferzan Ozpetek. Aqui, a história a ser contada é do jovem Tommaso (Riccardo Scamarcio), recém-chegado de Roma, ele admite ao irmão mais velho, Antonio (Alessandro Preziosi), que trocou o curso de administração pelo de letras, que não tem o menor interesse em administrar a fabrica de massas familiar e por fim que é gay.

Na verdade, Tommaso antecipa a revelação ao irmão, pois pretende fazer o anúncio oficial durante o jantar de família e assim espera ser renegado pelo opressivo pai e poder ficar livre para viver sua vida de escritor. O que Tommaso não esperava é que Antonio tomaria sua frente no mesmo jantar e se revelaria como gay a família (isso mesmo). Assim jogando todas as responsabilidades no colo de Tommaso. O rapaz acaba ficando em uma situação constrangedora, aonde não pode fazer o que pretendia e ainda obrigado a assumir a direção da empresa, já que o pai tem um enfarte após o discurso de Antonio. Nesses entremeios, ainda somos apresentados a história da matriarca da família, La Nonna (Ilaria Ochini) uma senhora que sofreu uma vida inteira por não poder assumir seu verdadeiro amor.

Um desavisado lendo essa sinopse inicial pode até achar que O Primeiro que Disse é um drama, dos mais lacrimosos talvez. A trama tem até seus momentos melancólicos e tristes, mas passa longe de ser algo com a intenção estrita de comover. A realização de Ozpetek (que também assina o roteiro) é provida de muito humor, aquele tipo de comicidade que é bem particular ao povo italiano e que nas mãos desse turco radicado na Itália surge de maneira despretensiosa, por vezes brincando com os estereótipos, porém causando risos sinceros, aquele tipo de riso que apenas uma representação que foca nas nuances reais do ser humano pode cometer. O diretor traz uma concepção de conflitos homoafetivos simples aos personagens, aliás, o diretor respeita bastante os protagonistas, mostrando-os como pessoas que buscam o amor e isso acaba engrandecendo sua obra. Até porque, muitas vezes filmes que apresentam temática LGBT apostam em envolvimentos apenas carnais, como se relacionamentos homoafetivos fossem unicamente sexuais.

O Primeiro que Disse é comédia, fato, e que em certos momentos ainda flerta com o gênero musical, vide as divertidas cenas em que o elenco entoa ótimas canções pops italianas. Um espectador acostumado com produções ianques pode achar o tipo de humor estranho ou inadequado em algumas seqüências, principalmente depois que a trupe de amigos gays de Tommaso se instala na casa de sua família. Porém, talvez a intenção de Ozpetek fosse trazer um retrato dos conflitos interiores (tanto homo quanto hetero) e como podem traumatizar os envolvidos quando o assunto fica mal resolvido. Ponto para o realizador que conseguiu catalisar esses sentimentos de uma forma acessível, divertida e emocionante.


Aucun commentaire:

Enregistrer un commentaire