jeudi 9 février 2012

Séries: Homeland, 1ª Temporada (FX/2011)


Vencedora de 2 prêmios principais do Globo de Ouro (melhor Serie e Atriz) na premiação de 2012, a debutante na TV, Homeland, produzida pelo canal a cabo americano FX é uma dessas gratas surpresas que a televisão frequentemente tem proporcionado aos espectadores. Baseada em uma serie Israelense chamada Hatufim (ou Kidnapped em inglês), Homeland vem para confirmar ainda o valor que essas produções têm recebido no atual panorama cultural, tendo estréia assistidas por multidões e invariavelmente acabam sendo apontadas como trabalhos que refletem com qualidade o estado de espírito do publico, aqui no caso o americano. Mesmo com um ótimo clima de thriller, o que tencionaria a fugir de algo mais crível, talvez aqui, essa seja uma das realizações que mais mereça essa citação de espelho de uma sociedade.

É mais do que sabido que os ataques do 11 de setembro mudaram e subverteram o american way of life, a paranóia instaurou-se e nem é preciso explanar muito sobre isso para chegarmos a essa conclusão. Homeland parte desse principio paranóico, porque o foco da narrativa é a premissa de que um fuzileiro americano, Nicholas Brody (Damian Lewis), refém por 8 anos nas mãos da Al-Quaeda e recentemente resgatado como por milagre, teria se convertido ao islamismo fundamentalista e seria o precursor de um ataque terrorista em solo americano. Bom, essa é somente a premissa, porque logo o espectador é imerso em um emaranhado de vertentes de investigações, capitaneadas principalmente pela agente da CIA Carrie Mathinson (Claire Danes sensacional). Obcecada pela verdade, Carrie não medirá esforços para chegar ao seu denominador comum.

Logo o clima angustiante toma conta da trama, que mesmo inicialmente se apresentando um tanto patriótica, logo percebemos que não é uma historia maniqueísta, tende a mostrar os dois lados da moeda e em certo momento não se refuta a criticar como o governo americano lida com a guerra ao terror ou mesmo com qualquer outro conflito, como em certo episodio, quando o suspeito Brody, cita um fato importante da famosa Batalha de Gettysburg: a guerra como profunda transformadora do ser humano. Usando ainda uma narrativa que provoca um jogo com o espectador, mostrando os fatos para depois revelar as causas, Homeland se mostra mais intrigante e diga-se de passagem, um tanto viciante. Assistir o primeiro episodio é se preparar para uma torrente de emoções que captam todas as atenções do publico para seus 12 capítulos, que somente se satisfazem ou não ao final da temporada.

Além de toda uma historia bem estruturada e delineada, que não apela facilmente para clichês televisivos, Homeland ainda apresenta personagens que facilmente ganham o carisma do publico, como a agente problemática vivida por Claire Danes, que se no cinema não conseguiu o reconhecimento, aqui, criva um dos personagens mais emblemáticos da recente dramaturgia ianque e o fuzileiro de ações dúbias defendido por Damian Lewis também não fica atrás, difícil não se identificar com alguns aspectos de sua personalidade. Dos personagens mais importantes, ainda merece destaque o parceiro de Carrie, Saul Berenson (Mandy Patikin ótimo), a esposa de Brody, Jéssica (a linda Morena Baccarin); um dos chefes da CIA, o patriota David Estes (David Harewood) e um dos lideres da Al-Quaeda, o corrosivo e emblemático Abu Nazir (Navid Negahban).

Homeland é uma dessas series que merece ser vista, não somente pelo publico americano, porque as qualidades são muitas e visíveis, desde seus aspectos técnicos até os interpretativos. A 2ª temporada já está engatilhada e tudo indica que será tão bem realizada quanto essa 1ª. Se em termos cinematográficos as produções americanas andam sendo acusadas de pouca criatividade ou mesmo descaso com o publico, o mesmo não pode ser dito de uma serie como Homeland, que trata o publico de maneira inteligente, causando diversão e reflexão na medida certa, e  exalando profissionalismo e talento dos envolvidos.



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