lundi 6 février 2012

Lançamento: Os Descendentes (The Descendants/Alexander Payne/2011)


Certos filmes precisam de mais de uma apreciação para percebemos o seu verdadeiro valor, talvez esse seja o caso de Os Descendentes, uma realização que me passou uma primeira impressão (apenas bom) diferente dessa revisão. Não sei se a segunda vez sendo no cinema tenha influenciado, porque a beleza do trabalho do diretor americano Alexander Payne brota com mais referencia na tela grande. Além do que certas obras crescem nos pensamentos e essa realização indicada a 5 categorias do Oscar (filme, ator, diretor, roteiro adaptado, montagem) com certeza é um desses que amadurece com um bocado de eficiência.

A minha insistência em rever o filme é que nesse meio tempo entre as duas apreciações, vez ou outra me pegava relembrando momentos marcantes e pensando em como é louvável a maneira que Payne constrói e transforma uma historia que poderia soar um tanto piegas e repetitiva em um filme extremamente humano, que lança um olhar sobre como podemos reagir em situações limite. Imaginem: Matt King (George Clooney), um advogado Havaiano, descendente de uma linhagem aristocrata local, mas desapegado e honesto, e assim deveras workaholic. Em questão de dias, King tem a esposa em coma e ainda descobre que a mesma o traia! (pasmem). O diretor poderia assim partir para a construção de um personagem edificante, unilateral, mas Payne mostra os contornos da vida de King, um bom sujeito, mas um tanto confuso, ainda envolvido com uma negociação (da qual não tem certeza), que deixará sua família bilionária, e ao mesmo tempo tendo que cuidar de suas filhas, uma pré-adolescente de 10 anos e uma jovem de 17, com serias tendências rebeldes. King parece não ter nem tempo para pensar na tragédia que aplacou sua vida, mas ele terá que lidar com todos os fatos, de um jeito ou de outro. Não soa um tanto próximo?

Os Descendentes elucida beleza da tristeza e melancolia, um tipo de representação que precisa do fino trato de um diretor talentoso como Payne, que sem firulas ou maneirismos cria uma obra sincera, com momentos cômicos que surgem de situações lastimáveis e outros de uma simplicidade emotiva que faz as lagrimas brotarem involuntariamente. Se alguém duvida que Clooney seja um grande ator, nessa realização ele criva o personagem que procurava para si, a seqüência do seu monologo final perante a esposa é ouro, emoção simples e verdadeira. E Payne acompanha o ator de bons novos talentos, como a bela Shailene Woodley, que não se faz de rogada na presença de Clooney e junto ao ator cometem momentos mágicos, como a inesquecível cena da piscina, quando libera sua frustração e consternação em um grito silencioso embaixo d´água ou em um singelo momento dentro do carro quando acalenta o pai apenas com os olhos. Outro personagem que ganha o espectador com seu carisma é o irritante Sid (Nick Krause), um jovem descompromissado, dono das cenas mais engraçadas, e que ainda protagoniza uma seqüência ótima em que “aconselha” o embaraçado Matt King.

Por fim, Alexander Payne é um diretor firmado como realizador de dramas, um gênero que agrada bastante o público americano. Não é estranho que venha sendo citado como queridinho da Academia e quem sabe, talvez, até surpreenda na premiação. Independente desse hype todo que sempre precede a noite mais importante do ano para o cinema mainstream, o que vale é reverenciar e afirmar que Os Descendentes é um filme sinceramente brilhante. 


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