mercredi 15 février 2012

Lançamento: O Artista (The Artist/Michel Hazanavicius/2011)


Confesso que tive certa dificuldade para começar a escrever sobre O Artista, até porque a intenção era trazer um texto que fosse fiel aos sentimentos que tenho em relação ao filme do pouco conhecido diretor francês Michel Hazanavicius. Não que eu queira “remar contra a maré” que afirma que a realização seja uma maravilha, até porque acho um bom filme, mas é inevitável não confirmar esse sentimento exacerbado que arrebatou boa parte dos apreciadores da nossa querida Sétima Arte.

Claro que O Artista é repleto de qualidades, principalmente as estéticas, a atuação de Jean Dujardin também deve ser reverenciada (propositalmente caricata), além da sacada genial do diretor de trazer atenção para sua realização ao conceber o filme em preto e branco e mudo. Fazendo assim uma história batida, que apenas remontaria a premissa de Cantando na Chuva, em algo que merece ser notado, trazendo ainda a tona boa parte da nostalgia que envolve quem realmente se interessa por cinema. Alias, o sentimento de nostalgia é emulado com tanta qualidade, que ousaria afirmar que talvez seja o verdadeiro responsável de trazer ao bom trabalho de Hazanavicius esse hype todo que o filme vem recebendo.

Vendo por uma ótica distanciada, de quem o filme diminui na memória afetiva, esse revival de uma época proposto por O Artista pode camuflar a sua trama que se apresenta deveras tradicional, contando a peleja de um importante ator do cinema mudo que se nega ao advento da nova tecnologia do cinema falado. Como o caro amigo blogueiro Fábio Henrique do Carmo evidenciou na titulagem de seu maravilhoso texto no blog Cinema com Pimenta (acessem e leiam!): “Embalagem ousada, conteúdo convencional.” E verdade seja dita, O Artista é um filme que a todo tempo adivinhamos seu passo seguinte e que não desafia o espectador em nada. Existe pouca criatividade do pastiche apresentado, ainda com clichês excessivos, tanto que temos até um cachorrinho para causar ternura no público.

Por fim, Hazanavicius consegue conflitar bem o mudo com o sonoro e chega a nos brindar com cenas realmente bonitas, como o pesadelo do artista decadente George Valentim (Jean Dujardin), em que o som surge quase como uma assombração em um filme de terror. Porém, homenagens e boas seqüências, por si só, não fazem uma obra-prima. O Artista é um trabalho que merece ser visto e louvado, mas é estranho e assustador ver que uma produção feita aos moldes dos idos do cinema (acusa involução?) possa realmente ser o grande vencedor de uma premiação de Oscar (10 indicações, incluindo melhor filme), o que na sua real essência deveria ser para agraciar o melhor de uma temporada e não o mais cool. 


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