dimanche 12 février 2012

Lançamento: O Abrigo (Take Shelter/Jeff Nichols/2011)


Paranóia ou premonição? Essa é a questão que percorre boa parte de O Abrigo, segundo longa do diretor americano Jeff Nichols, que administra muito bem essa dubiedade, que nasce a partir dos pesadelos (ou seriam presságios?) de Curtis (Michael Shannon). Pai de família devotado, trabalhador esforçado, marido amoroso, Curtis parece querer apenas proteger sua família de uma tempestade sem precedentes que lhe assombra a todos os momentos, um novo dilúvio talvez, e que ainda é sugestionada apenas para si. Seria uma mensagem de Deus querendo salvar aquela família unida? Família portadora de um rebento deficiente, mas afinal, quem poderia mesmo acreditar naquele sujeito, que ainda vem a ser filho de uma esquizofrênica paranóica?

Então Nichols vai delineando seu próprio roteiro de maneira bem simples, mostrando Curtis obcecado pelo intento de construir um abrigo subterrâneo que possa proteger sua família do fim do mundo, mas a ação é tão inusitada que o próprio homem procura ajuda médica para tentar resolver as alucinações que insistem em lhe afrontar, seja com pássaros bestiais voando em círculos, como se quisessem lhe atacar ou pessoas do seu convívio tentando aplaca-lo em seu intimo, lhe podando as idéias e o lançando literalmente ao fundo do poço. Nesses momentos, O Abrigo ganha contornos de uma realização de terror, mas não se pode afirmar que assim o seja, Nichols consegue transcender um simples filme de gênero e assim cometer uma obra que toca os nossos sentimentos mais íntimos, principalmente por mostrar essa aparente jornada sem sentido desse homem, motivada apenas pelo amor a filha e a esposa. Nada mais lhe importa.

Há de se afirmar também que O Abrigo deve muito a Michael Shannon, um ator soberbo, perfeito para personagens conflitantes, cheio de camadas, vide Os Possuídos e Foi Apenas um Sonho (no qual rouba as cenas em que aparece, apequenando DiCaprio e Winslet). Merecidamente acompanhado da talentosa Jéssica Chastain (como sua compreensiva esposa) a realização de Nichols merece seu devido destaque, com seus diálogos contidos, porem emocionados e o belo clima instaurado de amor familiar, de preocupação incondicional pelos entes, mesmo quando aparentemente estão indo por um caminho desviado. O momento final é tão terno e comovente, que até para os mais céticos, fica difícil não crer em uma Força que titereia os nossos destinos.   


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