dimanche 19 février 2012

Lado B: Sob o Domínio do Medo (Straw Dogs/Rod Lurie/2011)


Mesmo sabendo que remakes, reimaginações, releituras são mais do que normal no cinema de hoje, deveria existir certas regras quanto a isso. Por exemplo, quem diabos permitiu que Rod Lurie cometesse o sacrilégio de meter suas mãos desprovidas de talento no fulminante Sob o Domínio do Medo do saudoso e querido Sam Peckinpah? Resultado da sua incursão: um filme totalmente sem sentido, ridículo e sem razão de existir. Ainda não vai fazer os que desconhecem o original de 1971 (quem não viu, corra para ver) gostarem dessa realização e infelizmente pode desmotivar o conhecimento do verdadeiro. Por fim, é inevitável que cause tremenda aversão aos entusiastas e fãs do original, principalmente pelo desleixo visível na maioria das seqüências.

O filme de Peckinpah fazia todo o sentido para sua época, mostrando um escritor, homem de bem, que ao se mudar para uma cidade interiorana, se vê afrontado por seus moradores. Isso na premissa inicial, porque além do caráter precursor do exploitation, o filme até poderia render algumas boas interpretações do público. O filme de Lurie é puro arremedo do roteiro cometido em parceria por David Zelag Goodman e o próprio Peckinpah. Repetição sem inovação, com seqüências que não elucidam um pingo de tensão. Um dos momentos mais nervosos do filme de Peckinpah, em que o diretor consegue arrancar dubiedade de uma cena de estupro, aqui se torna algo desmotivado. Nem raiva o espectador consegue sentir do   estuprador apático e letárgico interpretado por Alexander Skarsgard. Alias, em termos  de atuações, podemos dizer que são risíveis de tão pobres. Tudo bem que não dava para esperar muito de James Marsden no papel que foi do competente Dustin Hoffman, mas o problema não é só ele. Se houvesse uma premiação para pior elenco, a mesma deveria ser dada a Kate Bosworth, James Wood e Dominic Purcell, que junto a Marsden e Skarsgard conseguem transformar uma obra notável em algo chato e desinteressante.

Claro que muitos dos problemas de Sob o Domínio do Medo vem da direção fraca de Lurie. Em um tipo de obra que pede atuações caricatas, marcadas por perfis, a falta de condução do elenco é visível, parecem perdidos como cego em tiroteio. O diretor não peca somente na construção dos personagens, mas também em apostar que poderia fazer um filme apenas repetindo seqüências, como se por si só elas fossem funcionar. Pelo menos os nossos executivos dessa vez tiveram o bom senso de tirar esse Sob o Domínio do Medo do circuito exibidor nacional (teve abertura ridícula no mercado americano, não pagou seu custo de 25 milhões de dólares). Vai ser o típico filme que vai pegar pobres clientes desavisados nas cada vez mais raras locadoras ou teimosos (como eu) que arriscarem um download


Aucun commentaire:

Enregistrer un commentaire