mardi 10 janvier 2012

Lançamento: Margin Call - O Dia Antes do Fim (Margin Call/J. C. Chandor/2011)


Alguns filmes, voluntariamente ou não, acabam por traçar um panorama crível de uma época, citando um exemplo mais recente podemos lembrar de A Rede Social, com suas nuances representativas de uma geração, e de certo modo pode ser dito o mesmo de Margin Call – O Dia Antes do Fim, estréia impressionante do jovem diretor J. C. Chandor (que também roteiriza), e que aqui concebe com uma competência notável esse nosso mundo imerso em um capitalismo selvagem, em que se passa por cima do caráter e da honra para se ter mais lucro ou não ter prejuízo, mesmo que para isso tenha que se prejudicar uma infinidade de pessoas que acreditam ou dependem do sistema para manter o seu bem estar.

A trama de Margin Call começa acompanhado uma enxurrada de dispensas de funcionários de um banco de investimentos, que dentre os seus tramites mais importantes, está à administração de um numero significativo de hipotecas. Um dos desligados da empresa é Eric Dale (Stanley Tucci), um analista de riscos que se encontra envolvido em um estudo sobre os índices dos investimentos feitos baseados nas hipotecas, mas a demissão no meio do trabalho faz com que Eric entregue suas projeções inacabadas a um então subordinado seu, o talentoso analista novato Peter Sullivan (Zachary Quinto), que impulsionando pelo discurso do seu novo chefe Sam Rogers (Kevin Spacey), exaltando os que ficaram na empresa, se embrenha pelo trabalho de Eric e consegue ver o que o seu antigo chefe não conseguiu: eles estão à beira de uma crise financeira sem precedentes, que influenciará negativamente todo o mercado financeiro e muitos perderão boa parte de suas finanças.

Então a partir da revelação de Peter a seus colegas mais próximos, vividos por Paul Bettany e Penn Badgley, entram em cena os figurões dos negócios, representados em suma por Demi Moore, Simon Baker e Jeremy Irons. De forma vertiginosa, Chandor nos leva assim por dentro de uma noite extremamente tensa, em que acompanhamos a cúpula organizar um plano, mesmo que reprovável, para assim reverter a iminente crise em prol dos cofres do banco. Por entre os joguetes para manipular os envolvidos, o diretor vai delineando os perfis dos personagens, seja os mais novatos que mesmo em meio a uma tormenta apenas se preocupam com a ascensão própria ou outros que parecem arrependidos com o tipo de vida que levam, mas estão atolados em tantas situações comprometedoras que a balança acaba pendendo para a saída mais fácil, mesmo sendo aparentemente incorreta. Margin Call não é um filme de certo ou errado, não é maniqueísta a esse ponto, na verdade, mostra com propriedade esse mundo adaptável em que estamos inseridos, aonde pessoas são reconhecidas pelas cifras que tem no banco, carros vistosos e vidas vazias, um ambiente mais impessoal impossível e mesmo assim um tanto verdadeiro.

Por fim, Margin Call é uma obra que apesar de mostrar alguns tecnicismos de aplicações financeiras passa longe de ser uma realização sacal ou tediosa, até porque Chandor foca o filme nos personagens, todos muito bem construídos por um impecável elenco. Em uma das cenas mais marcantes vemos os jovens vividos por Quinto e Badgley andando dentro de um carro no meio de uma movimentada avenida, a esmo procuram uma solução milagrosa, e um deles cita que as “pessoas comuns” não têm nem idéia do que está por acontecer. Essa afirmação acaba por ser a realidade de uma boa parte da população, que ficam a mercê de instituições como essa ou mesmo governos condizentes que lidam sem o menor pudor com o nosso dinheiro, da maneira que bem entendem e o resultado dessa brilhante incursão é um dos melhores filmes dos últimos anos.


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