mercredi 25 janvier 2012

Lançamento: 2 Coelhos (Afonso Poyart/2012)

Um cinema que pretenda se firmar como produtor ou mesmo visiona um caminho de indústria necessita se firmar também como realizador de filmes de gênero, até porque (mesmo sempre sendo bem-vindas) não dá para se viver apenas de obras existencialistas ou filosóficas, dito cinema de arte. Então, fico feliz quando vejo o cinema nacional investindo em produções que até pouco tempo fariam muita gente torcer nariz, como esse 2 Coelhos, um filme legitimamente de ação, antenado com um cinema de cineastas americanos e britânicos, considerado por muitos como o pós do pós moderno. Assim fazendo parodia de gênero, como Tarantino fez na sua estréia e vem fazendo em sua carreira e Guy Ritchie que também elabora bem essas referencias dita de uma cultura cinéfila.

O diretor estreante em longas, Afonso Poyart, trabalha com esperteza o mise-em-scène exagerado, a narrativa entrecortada, as cenas que trabalham estilos de filmagem (tudo bem que não é nenhuma novidade), e que apostam em um historia contada de maneira visual, mas mesclando com louváveis boas seqüências de diálogos, ora estendendo elas mais do que deveria ora apresentando os fatos, para depois mostrar a causa em flashbacks bem elaborados. Fazendo assim o mesmo tipo de jogo que Tarantino costuma fazer em seus filmes, claro que guardado as devidas proporções, porque diferente do cineasta americano, Poyart não chega a subverter de maneira tão incisiva a expectativa do espectador, porque com o sentido que a obra vai tomando, algumas charadas podem ser facilmente dissolvidas. Ainda assim, isso não torna 2 Coelhos ruim, alias, faz com que acompanhemos com interesse até onde o diretor pode chegar com sua empolgação cinéfila.

Analisando 2 Coelhos dentro do cinema de gênero, no caso de ação, podemos incluí-lo também no subgênero dos filmes de crime, trabalhados com maestria por Tarantino em inicio de carreira e por Ritchie em pelo menos 3 obras de sua filmografia. Os personagens específicos estão lá, como o sujeito que arma o plano mirabolante, vivido com talento por Fernando Alves Pinto, um personagem digno do convívio de filmes como Jogos, Trapaças e 2 Canos Fumegantes ou mesmo o mais recente Rock n´ Rolla. Outros personagens que não fariam feio em filmes de Ritchie são o mafioso Maicom (Marat Descartes muito a vontade), a promotora corrupta Julia (Alessandra Negrini), o psicopata assassino Bolinha (Thogun sensacional), o advogado picareta Henrique (Neco Villa Lobos), o ladrãzinho Velinha (Thaíde) e seu divertido comparsa pizzaiolo vivido por Robson Nunes. No meio desse emaranhado de historias, ainda temos o ex-professor amargurado defendido por Caco Ciocler, que apesar de aparecer pouco é um dos catalisadores da trama.

O novato Poyart faz a aposta certa ao defender todo seu lado de referencias cinéfilas, ora trazendo o filme com uma narração em off do personagem principal ao melhor estilo da tradição noir ora cometendo impressionantes cenas de tiroteios, como uma que se inicia com um carro em chamas, fazendo ainda lembrar de bons filmes como Fogo Contra Fogo ou mesmo homenageando Pulp Fiction e sua cena em que Jules Winfield e Vincent Vega entram em um apartamento para executar um delinqüente. O diretor mostra tino para conduzir um filme frenético, não deixa a obra cair em armadilhas do gênero e trás uma realização que apresenta certa criatividade, mesmo usando explicitamente tantas referencias. 2 Coelhos poderia ser um tiro no pé, mas a ousadia de fazer algo de certa forma comum para alguns, mas novidade para o nosso cinema tupiniquim faz com que essa realização mereça todo seu respeito.


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